Acordo.
Penso que tudo foi um sonho ruim e falo comigo mesma “Dianah, sua boba !” e consigo sorrir um pouco.
Mas ao abrir os olhos num impulso mecânico descubro que aconteceu.
Realmente aconteceu e não há nada que eu possa fazer.
As lágrimas enchem aos olhos. Tento virar na cama e voltar a dormir.
Meia hora.
Uma hora.
Uma tarde inteira.
Mas não adianta, a Realidade está na minha frente frente e não vai mudar pro meu bel-prazer.
Um lado meu que é espiritual, sabe e já viu, ouviu e sentiu as respostas dele do outro lado – nessas horas agradeço por ser médium.
Mas o lado humano e irmã, o lado da “carne” sofre muito com tudo isso e quer muito um colo, um abraço ou um carinho mesmo que por um mísero segundo.
É isso. Abraço os outros para não cair e ser tragada pelo vão da depressão que se estende sobre meu pés.
Xingo a tudo e a todos por isso e choro novamente por ver que não existe um culpado realmente.
Começo a rir lembrando da risada marota dele ao meu cangote vigiando o que lia nos e-mails.
Beijo lábios estranhos pra tentar esquecer.
Me culpo por tentar ter uma vida que sei que ele nunca terá.
Pulo com a música para fugir.
Corto acidentalmente o dedo e foco na dor para não perceber essa dor que pulsa em meu peito.
Deus, será que vou pirar de vez ?
Ou finalmente estou ficando lúcida ?