SEXO, GRANOLA E ROCK

Faça-você-mesmo sua vida (Do-it-yourself your life)

HOJE EU QUERO SAIR SÓ …

 Edward Hopper – The mornig sun (o pintor da solidão)

 Solidão é algo estranho. Muitos a temem e para muita gente simboliza que a pessoa não é amada, excluída e sem ninguém (como se ela mesma não fosse alguém e sua própria compania não valesse grande coisa) .

Comigo não. Desde que me conheço por gente curto ficar sozinha.

Lembro-me que no colégio, enquanto muitos gostavam de ficar em grupos específicos e sempre ter com quem lanchar, preferia ficar só debaixo da árvore Y que havia no pátio com o livro velho e rasgado da biblioteca sobre “como funcionavam as coisas”e apenas observar o mundo. Observar como todos andavam, fazer rascunhos, ler o livro ou só sentir o silêncio que havia naqueles minutos antes do alarme nos chamando de volta para a sala de aula. às vezes até me escondia nos galhos mais altos da árvore para não pertubarem a minha preciosa solidão. Não tinha medo dos outros ou do mundo, só curtia ficar na minha.

 Mas depois de um tempo achei errado isso porque todos diziam que era ruim, um ato de egoismo e possível depressão “então devia ser verdade!” e lá fui eu criar o personagem da descolada e falastrona. Aprendi desde de cedo que o melhor nãoo era ser você  mesma, mas sim, aquela pessoa brincalhona que sempre tinha um piada pronta pra tudo e que todos podiam chamar de amiga e conselheira. O pior nem foi o que falaram mas de ter dado ouvidos a eles.

 Depois de um tempo, achei que era aquilo mesmo e criei um pânico da solidão, só me permitindo vez ou outra fugir por meu recanto do mundo. Mas mesmo assim não curtia grupos, acabando por acidente criando um grupo de outros solitários que fingiam ser sociais.

  Devido a isso diminui consideravelmente o número de desenhos ou qualquer tipo de criação, afinal, para criar  o artista PRECISA  da companheira solidão. Imagine buzinas, crianças berrando, amigos atormentando e cachorros latindo, a única coisa que criamos são enxaquecas intermináveis!

  Piorou ainda mais quando tive minha 1º menstruação. Na hora falei “merda, vou TER  que ser mulher” ( parece frase de travesti depois da operação de mudanças de sexo, hehehe.) E pra mim significava virar a mãezona de todo mundo, cuidar da casa, salvar todo mundo, enfim,m obrigações que toda mulher ‘deve ter’ – quase sempre com alguma amiga ou um homem ao lado SEMPRE.

 Acho que por isso que tantos escritores possuem gatos. O ato artístico é um ato felino: quieto e observador num canto reservado. Como um caçador de idéias esperando silenciosamente o momento de dar o bote em alguma inpiração que saceie sua vontade de criar algo belo.

 Enfim, o tempo passou, virei uma maezõna besta, serviçal de todo mundo e frustada porque nunca criava nada que queria.

 Mas desde da morte do meu irmão entrei numa fase auto-conhecimento. Tive que largar tudo e todos e ser minha própria cliente de terapia, filha, mãe, amante e amiga. E isso assusta pra caralho!

  Sem ninguém para cuidar ou aconselhar surge no peito aquela sensação de “ninho vazio” mesmo sem nunca ter parido meus próprios rebentos (nessa vida pelo menos). Depois de anos acreditando que só servia como divã-terapeuta-mãezona não sabia  para que servia – ou para quem servir.

  No final a gente descobre que precisavamos dos outros pra fugir exatamente dessa solidão. Porque ela nos obriga a nos ver (nosso lado bom e mau) e isso não é muito bem aceito no mundo do Carnaval, Futebol e Cereveja. Já é automaticamente tachado de depressão.

   Ficar grudado com várias pessoas toda hora não é visto como um vício de atenção alheia, mas apenas como uma pessoa carinhosa e social. Em todos os vícios a gente tem que largar nossa droga, mas com relacionamentos o mesmo não acontece. Sempre surge alguém querendo ajudar falando:

 “Ah, tu tá tão tristinha. Vamos lá fora ver gente!”

 Francamente, em certas horas ajuda no que ver um monte de gente andando pra lá e pra cá num shopping? Só prova que eles também não tem o o que fazer. Ou quando queremos nos divertir TEMOS que chamar alguém senão perdemos a vontade.

 Ir no cinema sozinha é tão legal! Ainda mais quando não tem ninguém na sala e toda aquela telona fica só pra você, ô beleza!

 Se conseguir encontrar amigos e um namorado que tenha essa sensação de solidão (do ponto de vista que, podemos ser nós mesmos ao seu lado sem frescuras ou edições) com certeza ficarei feliz.

 Tenho recaídas, lógico. Vez ou outra me pego desenhando e olhando com o rabo-do-olho pra cozinha querendo salvar minha mãe na louça  (como agora), sentir uma culpa por querer ficar sozinha, ou protelar de todas as formas pra fugir da mesma. Mas sei que aos poucos vou largandando o vício de salvar os outros pra fugir de mim.

 E tu caro leitor, curte ficar sozinho vez ou outra sem aquele desejo maluco de ligar pra um amigo, entrar no Twitter ou Facebook? Teste 10 minutos, se nesse tempo tua bunda não formigar e sentir um vazio dolorido no peito, a solidão é sua amiga.

Agroa licença que vou curtia minha amiga solidão e criar algo …

1 Comment

  1. Olá moça dos devaneios, aqui quem escreve é a moça dos pensamentos caóticos rs!
    Muito legal o que escreveu, compartilho do mesmo pensamento.
    Não tenho medo da solidão, do silêncio. Amo os dois. Sem eles a gente corre o risco de explodir com tanta informação, falação e, porque não dizer, chateação…
    Até já escrevi sobre isso, sobre gostar de ambos. Lembrando que gosto de gente, de um bom papo e coisa e tal, mas gosto outro tanto de observar essa gente.
    Dizem que isso é coisa dos tímidos. Será? Parece que as pessoas não aceitam uma outra que queira ficar na dela, que queira um pouco de isolamento, que se sinta feliz com a própria companhia, que tenha coisas interessantíssimas a fazer fora do circuito mundaréudegenteemvolta.
    Eu acho é que elas tem medo de submergir num contato consigo mesmas.
    Até mais,
    kisses

    P.S.: curti muito essa tua frase: “Acho que por isso que tantos escritores possuem gatos. O ato artístico é de um ato felino: quieto e observador num canto reservado. Como um caçador de idéias esperando silenciosamente o momento de dar o bote em alguma inpiração que saceie sua vontade de criar algo belo.”

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