Ouvindo sem parar “More than This – Bryan Ferry”

 Foto Surrupiada aqui ó.
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Há anos que não vejo esse filme e para ser bem sincera, não me lembro de muita coisa da trama ou do roteiro, apenas a sensação do que ele me transmitiu: o aconchego de uma amizade verdadeira, de como podemos encontrar pessoas afins de uma forma aparentemente absurda e como é se sentir deslocado em um mundo que consideramos estranho.

Acordei com esse sentimento hoje. De não pertencer neste mundo que estou. Que meus pés andam em calçadas distintas. Que não sei bem como faço para voltar a ‘nave-mãe’.
Mas não é um sentimento de abandono ou de solidão propriamente dito. É mais a sensação de ser uma alienígena em meu próprio Universo.

Lembro uma vez que andava em uma travessa da Av. Paulista e, ao atravessar no semáforo, uma mulher cruzou o caminho oposto. Por uma fração de segundos trocamos olhares e senti nela uma sensação de afinidade, como se tivesse reencontrado uma velha amiga ou uma irmã que não via há anos. Senti reciprocidade. E naquela breve instante percebi que em algum lugar, em outra vida ou dimensão, tivemos algo especial e familiar. Foi tão bonito que até hoje me toca o coração sabe? Como uma alma gêmea.
E se me perguntarem se lembro do rosto dela? Não tenho idéia – estranho já que sou ótima em memorizar fisionomias –  apenas a sensação de reencontro.

Pena que sempre conotamos “Almas gêmeas” com namoro ou luxúria.
Dizem que temos 22 almas Gêmeas espalhadas pelo mundo, sejam elas amigos, amantes, animais de estimação e até em um mentor espiritual que pode nem estar reencarnado. Acredito – ou melhor, sinto que é verdade – e sei que alguma forma aquela mulher era uma delas.

Sorte que tenho a bela melodia do Bryan Ferry para acalentar esse momento.