Ouvindo The kiss – Hooverphonic

Prometi a mim mesma que iria dormir mais cedo, mas não posso ignorar o sonho que tive ontem.

  Tirando alguns fatos bizarros típicos de sonhos, o que me recordei foi ouvir a voz do meu irmão Rodrigo claramente falando comigo, ao meu lado me guiando. 
 Não consegui identificar o rosto, que estava borrado, igual a uma foto em movimento, mas senti sua presença junto do meu outro irmão, Tadeu.
 ambos conversavam algo. Não ouvi o que diziam ,mas parecia ser um reencontro de velhos amigos. Acordei com a sensação de nostalgia, já não lembrava mais do som da voz dele, apenas da sua gargalhada contagiante.

 Ainda me dói falar do meu irmão. Da falta que ele faz em nossas vidas
 De como é estranho não ter 3 bolos para cada um de nós em todo aniversário.
  De como levei 4 anos para aprender a dividir tudo em casa para 3 pessoas e não para 4.
 De como fiquei tão traumatizada com o fato dele ter falecido no quarto durante a noite, que acabei adquirindo o péssimo hábito de vigiar minha família de madrugada, observando-os respirarem – que bom isso eu consegui trabalhar e curar esse hábito bizarro.
 De ainda não ter coragem de desenhar um retrato dele porque acabo chorando e molhando a folha do desenho.
 De ter finalmente parado de me punir por achar que era responsável da morte dele por estar desenhando na sala ao lado no momento em que ele tomava o veneno.
 Que escrever esse texto e lembrar dele está me fazendo chorar mais do que nunca.

 Sabe o pior disso tudo? A minha parte lúcida sabe que ele está bem do outro lado. 
 Que esta “realidade” em que vivemos é uma ilusão idiota.
 Que todo esse medo que tenho da opinião alheia, de não ter dinheiro, da humilhação, não são nada além de artimanhas da minha mente.
 Que no final, todos iremos morrer e rir dessa imbecilidade chamada “Vida“.

 Mas, estou assumindo o meu lado humano: Apegado, Bobo, Carente e Iludido.
 Ele está ótimo do outro lado e não o julgo por ter se suicidado. Afinal, quem nunca pensou nisso uma vez ou outra?
 E que estou pouco me fudendo com as críticas religiosas – espíritas principalmente – que diz que ele “está sofrendo porque suicídio é um pecado e blá blá blá”.
  A minha opinião sobre todas esse moralismo espírita irritante e ridículo fica pra outro post.

 O mais triste não acho que é a morte em si. É saber que nunca vivemos realmente, apenas sobrevivemos nos iludindo e tentando agradar outros ainda mais iludidos.
E não, não estou em depressão. Apenas com saudades do meu irmão e me questionando:

“Ele soube o que fazer com a Morte, mas o que eu devo fazer com a minha vida?”